Piu

Em meio ao barulho, às cobranças e à velocidade do mundo moderno, às vezes esquecemos de simplesmente parar. “Debaixo da Árvore” é uma refle

6 de setembro de 2026

Há dias em que o mundo parece barulhento demais.

São mensagens,
prazos,
vozes,
notificações,
coisas que precisam ser feitas
e outras que já deveriam ter sido esquecidas.

E nós continuamos.

Correndo atrás das horas
como se elas fossem nossas.

Até que, em algum momento,
sentamos debaixo de uma árvore.

Não para encontrar respostas.

Não para resolver a vida.

Apenas para ficar.

A sombra cobre o rosto,
o vento passa devagar
e, em algum galho distante,

Piu.

E talvez seja engraçado
que algo tão pequeno
consiga interromper
tantos pensamentos.

Por alguns segundos,
não existe trabalho.

Não existe amanhã.

Não existe aquilo
que ainda precisamos resolver.

Existe apenas uma árvore,
um pássaro
e o som do vento passando.

Talvez a paz nunca tenha sido
um lugar para onde precisamos chegar.

Talvez ela sempre tenha estado aqui,

esperando que nós
parássemos de correr
o suficiente para percebê-la.

Porque há coisas dentro de nós
que não precisam de respostas.

Precisam de silêncio.

E há dias
em que tudo o que precisamos
é sentar sob uma árvore,

respirar,

e deixar o mundo continuar girando
sem nós
por alguns minutos.

Depois levantamos.

Os problemas continuam lá.

Os medos também.

Mas talvez nós
já não sejamos exatamente os mesmos.

E, antes de ir,

o pássaro canta outra vez.

Piu.

Dessa vez,

eu escuto

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